Sem saber quem fomos

como saber quem SOMOS?

            Já pensou se tudo fosse sempre novo? A casa onde você cresceu não seria mais igual. Aquele lugar que você gosta de ir não existiria. Não conseguiríamos criar raízes nem nos apegar a coisas ou lugares. Tudo seria constantemente diferente de modo que não iríamos lembrar como era antes. Não saberíamos quem fomos.

            Sem saber quem fomos, como saber quem somos? Seria como acordar no filme “Como se fosse a primeira vez”, só que sem a fita de vídeo com as memórias dos dias anteriores.           

E se as suas memórias fossem apagadas?

Se ainda tivéssemos cinema como antes, esse filme estrearia por aqui.

            É isso que acontece quando destruímos a história das nossas cidades: destruímos as “fitas de vídeo” registrando o que antes havia. E tudo que acontece, logicamente acontece em algum lugar. Aquele fato nunca mais vai se dar de novo da mesma forma. Mas o cenário onde ele aconteceu – uma praça, uma casa, uma rua – vai se manter se quisermos. Isso vale tanto para grandes acontecimentos da história de uma sociedade, como acontecimentos importantes na biografia de cada um de nós. E o que é, ou foi importante para muitos, não deveria ser destruído.

            Se as coisas que te fazem lembrar de Caicó não existissem mais, do que você se lembraria? Como você se identificaria como caicoense? Como haver uma definição de caicoense se as memórias do passado não existem? Seria como se fossemos escrever uma “biografia” da cidade, mas não houvesse nada para lembrar. Não íamos conseguir escrever.

O destino da memória da nossa cidade será o mesmo que o do finado Orkut?

            A memória de um povo – tudo aquilo que aquela população se lembra e que faz parte da sua história – é importante pois ela está relacionada à identidade dele. Aquilo que constitui a história de uma cidade, sua identidade e faz parte da memória coletiva é considerado patrimônio.

            Sabe a Festa de Sant’Ana? Velha conhecida dos caicoenses e famosa pelo estado? Pois ela é patrimônio!

            A festa é uma tradição muito antiga na cidade de Caicó e carrega características culturais importantes. Seus rituais religiosos, eventos sociais e manifestações artísticas fazem parte da história de gerações e devem ser preservados pois constituem parte importante do “ser caicoense”.

            Mas nada disso teria o mesmo significado se fosse em outra cidade, não é? Existe festa de Sant’Ana em Currais Novos também, por exemplo, e nem por isso nos sentimos currais-novenses. Ou seja, os prédios, ruas e praças de Caicó são elementos importantes para isso também. São o cenário onde tudo acontece e sem eles nada teria o mesmo sentido! Eles são os registros da história da cidade, dos nossos costumes e técnicas, e constituem a nossa memória. Eles também são patrimônio e devem ser preservados para que seja mantida a nossa identidade.